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terça-feira, 19 de maio de 2009

Casal de Santa Maria ou Cabeço



Capela da Nossa Senhora do Mosteiro.


Horácio Pereira, um dos últimos habitantes do Casal de Santa Maria





O Casal de Santa Maria dista cerca de 2 Km da aldeia do Telhado e à qual pertence. Está situado num cabeço do qual se desfruta uma vasta e linda paisagem de toda a Cova da Beira.
É um pequeno aglomerado de casas muito velhas, antigas e semi-abandonadas. Nele habitam apenas 2 pessoas, antes moraram aqui cerca de 80 pessoas.

Aqui existiu, outrora, uma casa de repouso de frades Dominicanos, do qual não resta pedra sobre pedra. Mas algumas destas serviram para a construção de casas mais recentes. Tal como em Santa Maria da Carantonha, ficou uma ermida para contar o passado. Foi construída sobre uma estação romana e, em parte, com pedra de reaproveitamento dum antigo edifício romano, "Mosteiro". Junto à capela, com facilidade, encontramos "terra sigilata".
Não seria difícil calcularmos que os frades se teriam estabelecido aqui, porventura na primeira metade do séc. XVI. Tendo S. Domingos de Gusmão fundado a sua Ordem em 1217, nesse mesmo ano, entraram em Portugal com Soeiro Gomes, português, companheiro do Fundador. Aqui fundaram vários mosteiros, entre eles o de Abrantes em 1472 e o de Pedrogão em 1478.
A testar a sua autenticidade dominicana estão sete maravilhosas pinturas originais sobre o Altar-Mor,entre os quais se identificam a de "S. Domingo", a de "S. Iacinto" e a da "Senhora do Mosteiro" ao centro.
Ora S. Jacinto foi Dominicano polaco. Em 1221 foi um dos dois frades designados pelo fundador para estabelecer a sua ordem na Polónia. Logo após a sua morte, adquiriu fama de taumaturgo, tendo sido canonizado a 17/04/1594.
Esse quadro, sobre a madeira, como todos os outros, só deveria ter sido pintado após a canonização, pelo que estas pinturas teriam sido efectuadas depois daquela data e, naturalmente, para comemorar o acontecimento, bem como homenagear e perpetuar a memória de um santo da família.
A província dominicana e os conventos, tal como as outras ordens, extinguiram-se em Portugal em 28 de Maio de 1834 com um decreto-lei proposto pelo ministro Joaquim António Aguiar, de abolir todos os mosteiros masculinos e dispensar a sua população, aceite pelo regente D. Pedro. Esta lei foi uma perda incalculável em objectos de arte, livros e manuscritos, em consequência do vandalismo destruidor e do saque que, em certas casas, acompanhou a extinção. Também o mosteiro do Casal de Santa Maria não lhes escapou.

7 comentários:

  1. Desta vez voume prenunciar sob o Casal de Santa Naria,pois há algum tempo fiz um passeio por esse local, e mesmo junto á fonte pusme alguns minutos á coversa com o unico habitante dessa terra,Sr Horácio, e ao que assisti são quase imagens de outros Paises Africanos aonde abunda a miséria até pelo trato dos animais se veslumbra a pobreza, e a fome,apenas terra sem qualquer cultivo...
    Pois pasma-me que num lugar destes tranquilo, com sossego ainda sucedam coisas deste género!
    O Horácio conhecido segundo ele diz desde o Casal de Santa Maria até Santa Apolónia Lisboa...Pois acredito pobre mas polémico, porque por donde passa deixa conhecimento das suas histórias... Histórias tristes naturalmente,porque a simplecidade das pessoas acaba por as tornar mais pobres...
    As habitações do casal é aquilo que todos conhecem... Dá mesmo em querer que passou por ali um bombardeiro da segunda guerra mundial, e distruiu por completo parte das habitaçôes.
    Mas isto até dentro das cidades acontece.
    O porquê?.Parte da responsabilidade do poder autártico, porque não facilita a recuperação de prédios degradados...È preciso licenças e projetos por tudo e por nada,e esses senhores das autarquias saben-no bem.Porque não criam
    decretos leis para facilitar os pobres?
    Pois neste passeio fisme acompanhado de pessoas
    com certos conhecimentos em diversas aéreas,eficaram surpreendidos pelo que viram...
    Continuamos a ser um País, de extrema pobresa...
    Que é feito dos milhôes da comunidade Europeia?
    Há muitas coisas que o povo não sabe...
    Tenho que me por nos meus cuidados e fazer umas filmagens para enviar para os ogãos de informaçâo creio ser uma excelente ideia!
    Ângelo

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  2. Realmente estou completamente de acordo com o que foi dito, mas infelizmente neste país a política económica trata de enriquecer cada vez mais os ricos e empobrecer cada vez mais a classe baixa. Há dinheiro para aeroportos, autoestradas, TGV, etc. mas ajudar a classe baixa nunca há. De qualquer das formas, e falando do Casal de Santa Maria, segundo sei existe já um projecto de recuperação e transformação da povoação numa aldeia turistica, falta saber para quando...

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  3. Quase todos os dias venho visitar o este blogue, que é uma forma de ir sabendo o que se passa na minha aldeia (já participei algumas vezes)e é com alguma tristeza ver a ausência de participação dos jovens na apresentação de sugestões, criticas etc. Será que já não há jovens na minha aldeia?

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  4. Olá boa tarde

    Gostaria muito de saber como estão as obras da casa da eira, é possível darem alguma informação?

    Obrigado

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  5. Ambos somos Telhadenses,e ambos gostamos do mesmo local aonde nascemos,e fomos criados,e frequentamos a mesma Escola Primária embora em épocas diferentes.
    Fomos criados num meio pobre,e aonde escasseia os empregos,militamos naturalmente com ideais muito parecidos,estamos no mesmo prato da balança...
    Mas uma coisa é certa, embora pobres,somos ricos em ideias,a soluções,falta na verdade aquilo com que se faz obra, os (EUROS).Fiquei satisfeito ao ser informado que existe um projecto para o Casal de Santa Maria,e seria muito bom que aparecesse uma identidade ou empresa com coragem de levar essa obra em frente.Quanto ao itinirário está concluido,e não é necessário nenhuma auto estrada, nem aeroporto,pois isto têm sido a politica dos sucessivos governos...
    Betão mais Betão...Estes dois projectos em que o
    senhor fala, para mim será mais um elefante branco, afim de endividar o futuro da juventude do nosso País.
    Já tive a oportunidade de alertar os jovens afim de participarem nest blogs, para proporem idéias
    e fazer alertas, porque na imprensa escrita do conselho não está ao alcance de todos...
    Ângelo

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  6. Boa tarde a todos os naturais desta freguesia que é o Telhado. Nasci no Freixial lugar da mesma freguesia de onde parti para lisboa em 1954 com 17 anos de idade. Conheço como as minhas mãos o Casal de Santa Maria pois trilhei imensas vezes esses caminhos e veredas em direção a um lote de terras de mato que meu pai possuía um pouco mais acima quando era preciso ir á procura de mato para a cama dos animais e lenha para a lareira. O Casal de Santa Maria está situado a meia encosta da serra com orientação Nascente/Sul e com uma belíssima vista sobre a cova da beira onde eu teria adorado viver não fora também o facto que a todos levou a sair da sua terra (a pobreza)e procurar pão noutras paragens.
    Á cerca de cinco anos desloquei-me ao Freixial para visitar alguns dos meus familiares que ainda lá tinha. Fiquei agradávelmente surpreendido quando ao chegar minha prima Maria Nogueira me informou que estava de partida para o Casal de Santa Maria onde tinha lugar nesse dia uma romaria e festa com a celebração de missa na capela da Senhora do Mosteiro seguida de procissão. Fiz questão de a acompanhar e tomar parte nas cerimónias. Verifiquei com mágoa o estado lastimoso de todo aquela casario em ruinas. Tive também ocasião de falar com o Sr.Horácio, pessoa da minha criação e único habitante do Casal de Santa Maria. Uma das coisas que me fascinava e fascina é toda a quantidade e pureza daquela água que sai daquela bica onde tantas vezes sasciei a sêde. Depois tem também a beleza do nascer do sol que mal começa a despontar nos entra logo casa dentro e faz companhia todo o dia. O ar puro que ali se respira e nunca poluído pelo progresso dos grandes centros. O silêncio tão desejado dos que vivem nos grandes centros e o contacto directo com as aves da natureza. Fora eu mais novo e tivesse eu saúde com a minha vida organizada e seria este o lugar da minha eleicão para viver. Gostei saber que existe um projecto de recuperação do casario com fim ao turismo rural. Tão depressa ele se concretize e logo recomendarei este belíssimo local para férias ou viver. Se existem locais belos por este País fora e para este tipo de turismo, este é um deles. Desejo a todos os naturais desta freguesia do Telhado, muita vida e saúde e que tudo façam para recuperar este paraízo que foi também obra dos nossos antepassados. M. A. Santos

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  7. E realmente de lamentar o que vai por esse pais fora, eu tentei comprar uma casa velha no Freixial a uma pessoa que tinha três á venda, a minha ideia era poder recupara-la para passar os ultimos anos da minha velhice, mas foi-me pedido um valor quase de uma nova, os proprietários preferem vê-las no chão que vende-las, a não ser que seja por muito bom preço.

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